Zeitgeist
Sobre o Evento
ÍNDICE
INTRODUÇÃO
1 O NÓS APÓS A SEGUNDA GRANDE GUERRA
1.1 A SÉTIMA ARTE
1.2 ADORNO, HORKHEIMER E A INDÚSTRIA CULTURAL
1.2.1 O fetichismo dos bens culturais
1.2.2 A expropriação do esquematismo
1.2.3 A massificação das opiniões individuais
1.2.4 A heroicização do medíocre
2 O DESAPARECIMENTO DA INFÂNCIA: A INFANTILIZAÇÃO DO ADULTO E A ADULTIZAÇÃO DA CRIANÇA
3 A PÓS-MODERNIDADE E O RELATIVISMO
3.1 OS ESCUDEIROS
3.2 POR QUE NÃO UMA TERRA PLANA?
3.3 A FILOSOFIA COM O FIM DO RELATIVISMO
3.3.1 Princípio da Identidade
3.3.2 Princípio da Não-Contradição
3.3.3 Princípio do Terceiro Excluído
4 A NOVA FÍSICA
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
RESUMO
O intuito da análise da Pós-modernidade entrega-se na necessidade de compreender o “zeitgeist” - “o espírito do tempo” citado pelo filósofo alemão Hegel - Georg Wilhelm Friedrich Hegel, Estugarda, 27 de agosto de 1770 - Berlim, 14 de novembro de 1831- em A fenomenologia do espírito (1807, p.26), uma das principais obras da filosofia moderna - deste momento que sucede a Modernidade (do renascimento à segunda metade do século XX), ou seja, de 1950 até hoje. Vê-se que alguns fenômenos da Pós-modernidade são exclusivos de tal, e reage ativamente com os vários acontecimentos de seu antecessor: a Modernidade. O período moderno é marcado pelo desenvolvimento tecnológico e científico, metanarrativas - como o marxismo - , ademais, marca o fim do feudalismo, do monopólio religioso sobre o conhecimento e marca não só a criação de tecnologias e movimentos artísticos revolucionários como também marca os resultados dos destroços gerados pela guerra e o surgimento de uma mídia da qual sugere, na psique social, uma realidade mediada por imagens e sentidos - a fotografia, o cinema, a televisão e, claro, a internet. Portanto, neste ensaio, objetiva-se examinar minuciosamente a constituição da psique que compõem a mente dos indivíduos do “pós guerra”, o que de fato a mídia - e o marketing - influencia na manifestação revolucionária da classe trabalhadora - bem como seu fator psicológico na segregação de classes - como o zeitgeist constrói o senso comum e como o surgimento da internet intensifica o relativismo e fenômenos outrora abordados no século XX e na Modernidade.
Palavras-chave: Pós-modernidade. Zeitgeist. Mídia. Psique social. Relativismo.
ABSTRACT
The purpose of analyzing Postmodernity lies in the need to understand the “zeitgeist” -“the spirit of the time” cited by the German philosopher Hegel (Georg Wilhelm Friedrich Hegel, Stuttgart, August 27, 1770 - Berlin, November 14, 1831) in The Phenomenology of Spirit (1807, p.26), one of the main works of modern philosophy -of this moment that succeeds Modernity (from the Renaissance to the second half of the 20th century), that is, from 1950 to the present day. It is observed that certain phenomena of Postmodernity are unique to it, actively reacting with the various developments of its predecessor: Modernity. The modern period is marked by technological and scientific development and grand narratives -such as Marxism - as well as the end of feudalism and the religious monopoly over knowledge. Moreover, it marks not only the creation of revolutionary technologies and artistic movements, but also the remnants left by war and the emergence of a media landscape that suggests, within the social psyche, a reality mediated by images and senses' - photography, cinema, television, and, of course, the internet. Therefore, this essay aims to thoroughly examine the constitution of the psyche that forms the minds of "post-war" individuals, the actual influence of media - and marketing - on the revolutionary expression of the working class - as well as its psychological role in class segregation -, how the zeitgeist constructs common sense, and how the advent of the internet intensifies relativism and phenomena previously addressed in the 20th century and Modernity.
Keywords: Postmodernity. Zeitgeist. Media. Social psyche. Relativism.
INTRODUÇÃO
Para que haja uma maior assertividade quanto a análise da Pós-modernidade, é preciso entendermos sua “irmã mais velha”, a Modernidade, haja visto que este momento sucessor da modernidade, atual, é um incansável confronto com as ideias modernas e sua ética, o que relaciona diretamente com críticas pertinentes àquele período.
A Modernidade chega com o Renascimento, o qual representa o início do fim do domínio eclesiástico sobre o conhecimento e as artes, bem como o início do modelo econômico e de produção que nós presenciamos atualmente a partir do que chamar-se-ia de Mercantilismo. Não somente dessarte, outro momento histórico relevante para esta atribuição é o Iluminismo, o Século da Luzes - iniciado ao fim do século XVII e finalizado ao início do século XIX, com a Revolução Francesa - em que se cristalizara.
O período moderno é o momento da valorização de conceitos como a razão, a verdade, a vontade inabalável de usufruir de todo o pensamento filosófico na vida prática, política, e a fé no progresso científico. Um bom exemplo seria analisarmos a principal obra de uma das principais metanarrativas deste lapso: Das Kapital (1867) - escrito pelo filósofo, teórico político, economista Karl Marx (Tréveris, 5 de maio de 1818 - Londres, 14 de março de 1883) - para o marxismo.
Quando Friedrich Engels - Barmen, 28 de novembro de 1820 - Londres 5 de agosto de 1895 -, filósofo e teórico revolucionário prussiano -, amigo de Marx, deu ao socialismo o nome de “científico” em modelo de organização do Estado no seu ensaio com Karl Marx, ele estava somente representando uma resposta do “caldeirão cultural” de sua época, assim como é em todo momento histórico, o que evidencia a importância dada à ciência como uma instituição crucial para a transformação direta da realidade.
Porém, a Pós-modernidade vem como uma quebra deste antecedente intelectual. A relação rompe com fatores considerados determinantes para a Modernidade: agora todas as instituições - o Estado, a ciência - são encaradas com desconfiança; não é possível falar em nome da verdade ou do conhecimento; todos os valores universais, como da Ética, da Estética, da Religião, foram degradados meramente como opinião e, através do desenvolvimento das ciências sociais, cada um destes aspectos do mundo real tornaram-se dependentes de época, classe social, etnia, gênero, sexulaidade e outros fatores determinantes. E tal fenômeno faz caminho por absolutamente todos os campos da realidade, da práxis social ou da metafísica, como é claramente visto com o pensamento de Nietzsche - Friedrich Nietzsche, filósofo e filólogo germânico (Röcken, 15 de outubro de 1844 - Weimar, 15 de agosto de 1900) - situado no mosaico de intercessão entre o pensamento moderno e o pós-moderno, para o qual dever-se-ia questionar a existência de verdades absolutas e defendera que a verdade era a imposição da interpretação daqueles que exercem o poder, como é retratada na obra Assim falou Zaratustra (1883-1885).
Muitas coisas que para um povo eram boas, para outro eram desonra e zombaria: assim achei eu. Muitas coisas achei aqui chamadas de más, e lá, adornadas com a púrpura da honra. [...] Jamais um vizinho compreendeu o outro: sua alma sempre se maravilhou ante a loucura e a maldade do vizinho. (NIETZSCHE, Friedrich. Assim falou Zaratustra. Companhia de Bolso. Companhia das Letras: SP, 2011; p. 60; cap. Dos Mil e Um Alvos)
Na metade do século XX em que se inicia a Pós-modernidade, Michel Foucault - historiador e filósofo francês, 15 de outubro de 1926, Poitiers - 25 de junho de 1984, Paris - rompe com o marxismo, especialmente o ortodoxo e estruturalista dominante na França entre as décadas de 1960 e 1970, moldando seu foco para lutas menores distribuídas na sociedade: para as micro-relações de poder, o biopoder e o saber-poder. É necessário compreender que o marxismo busca uma mudança radical e revolucionária da sociedade em uma escala global, contudo, a Pós-modernidade encara tal objetivo como grandioso demais para ser levado a cabo, por isso Foucault reduz a luta para lutas menores e que podem ser administráveis a todas as classes, principalmente para a burguesia, pois é esta casta social que é cega diante a realidade possivelmente posterior ao capitalismo (pois não existe fora dele em outra realidade econômica (uma observação adaptada da filosofia de Ludwig Feuerbach - filósofo alemão (28 de julho de 1804, Landshut - 13 de setembro de 1872, Rechenberg). Diante disso, surge a sensação de uma sociedade “bernsteiniana” - referência a Eduard Bernstein, político social-democrata alemão e revisionista marxista, em sua obra Socialismo Evolucionário (1899) - da qual atribui-se o fim da luta do proletariado contra o capital, a fim de uma derrubada de Estado radical, para a realização de causas localizadas, como a sustentabilidade, segregação racial, xenofobia e etc.
Ora, o estudo desse microfísico supõe que o poder nele exercido não seja concebido como uma propriedade, mas como uma estratégia, que seus efeitos de dominação não sejam atribuídos a uma apropriação, mas a disposições, a manobras, a táticas, a técnicas, a funcionamentos; que se encontre nele antes uma rede de relações sempre tensas, sempre em atividade, do que um privilégio que se pudesse deter. (FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir (1975). Edição Vozes. Editora Vozes: RJ, 2014 – 42ª edição; p. 25; cap. Corpo dos Condenados, primeira parte: Suplício)
Mais de um século após NIetzsche e o Asim falou Zaratustra, Zygmunt Bauman - sociólogo e filósofo polonês (19 de novembro de 1925, Poznan - 9 de janeiro de 2017, Leeds) - estabelece o zeitgeist pós-moderno com sua obra Modernidade Líquida (publicada em 2000), em que se refere à transição entre uma sociedade sólida e ávida por uma unidade que a unisse intelectual e culturalmente e uma sociedade esfacelada pela “crise do universal” e pela opinião individual elevada a última instância.
Na ausência de um Supremo Ofício com poder de declarar o que é e o que não é verdade, e de tornar a declaração obrigatória, a responsabilidade de distinguir a verdade da mentira (ou as formas de vida superiores das inferiores, o refinamento da vulgaridade) foi transferida para os ombros dos indivíduos. (BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Companhia das Letras, Zahar: RJ, 2001; p. 41; cap. Individualidade)
1 O NÓS APÓS A SEGUNDA GRANDE GUERRA
A transição entre a Modernidade e a Pós-modernidade (1900-1950) deve ser analisada pormenorizadamente de modo que vejamos como chegamos até aqui, porque o novo surge a partir do velho - em tocante a Hegel.
1.1 A SÉTIMA ARTE
O cinema, surgido no fim do século XIX (1895), com os irmãos Auguste (1862–1954) e Louis Lumière (1864–1948) - engenheiros e industriais franceses, reconhecidos como os inventores do cinematógrafo e pioneiros do cinema - marca o início comercial da sétima arte e também o início de um modo de publicidade revolucionário e uma geração guiada pela cultura da imagem. Inicialmente documental, o cinema logo evoluiu com Georges Méliès - Marie-Georges-Jean Méliès, diretor francês (ficção/efeitos especiais; Viagem à Lua, 1902) - 8 de dezembro de 1861, Paris - 21 de janeiro de 1938, Paris - e com a diretora francesa Alice Guy-Blaché (narrativa) - Paris, 1 de julho de 1873 - 24 de março de 1968, Nova Jersey. O cinema mudo prevaleceu nas primeiras décadas, com cenas cotidianas e, posteriormente, comédias com Charles Chaplin - Sir Charles Spencer Chaplin Jr., ator de comédia, diretor, editor de filme e produtor britânico (18 de abril de 1889, Londres - 25 de dezembro de 1977, Corsier-sur-Veyvey. A transição para o som ocorreu no final da década de 1920, e consolidara o cinema como grande entretenimento de massas,
Fora através do entretenimento e do surgimento do audiovisual, com o cinema em que se consolidou este meio inédito de comunicação e de divulgação, da qual o ditador germânico de extrema-direita, Adolf Hitler - 20 de abril de 1889, Braunau am Inn - 30 de abril de 1945, Berlim - usara implacavelmente para manipular a opinião das massas alemãs. E é através deste exemplo que poder-se-á notar a implacável transformação social e psicológica que esse meio produziu e qual fora, de fato, seu papel com o passar das décadas e qual fora seu “filho-monstro” que nascera deste ventre.
1.2 ADORNO, HORKHEIMER E A INDÚSTRIA CULTURAL
Theodor W. Adorno - filósofo, musicólogo e teorista social alemão (11 de setembro de 1903, Frankfurt - 6 de agosto de 1969, Visp - e Max Horkheimer - filósofo e sociólogo alemão (14 de fevereiro de 1895, Estugarda - 7 de julho de 1973, Nuremberga -, duas das principais figuras da Escola de Frankfurt, escreveram juntos a obra intitulada Dialética do esclarecimento: esclarecimento como mistificação das massas (1947) em que surge um conceito chamado por eles de “indústria cultural” (p.110), do qual faz referência à produção em massa e padronizada dos bens culturais e a sua transmutação em mercadoria.
A Escola de Frankfurt é uma corrente de pensamento interdisciplinar, vindouro da Alemanha, associado ao Instituto de Pesquisa Social. E, Adorno e Horkheimer contribuem em sua teoria a associação entre a degradação cada vez mais constante do pensamento crítico do man on the street (homem comum) e a mediação da realidade pela imagem. Teses do capítulo independente intitulado “Indústria Cultural: O Esclarecimento como Mistificação das Massas” (1947, p.110) presente na Dialética do esclarecimento enfatizam fenômenos outrora observados por eles no fim da década de 1940 e que se comprovam cada vez mais com o passar dos anos e da evolução técnica da mídia.
Destacar-se-ia quatro principais características:
1.2.1 O fetichismo dos bens culturais
Em suma, o fetichismo dos bens culturais revela muito sobre as dinâmicas sociais e econômicas contemporâneas. Destaca como os produtos culturais podem ser transformados em símbolos de status e poder, refletindo e reforçando as desigualdades existentes na sociedade. Ao mesmo tempo, oferece uma janela para entender como a cultura é consumida e valorizada no mundo moderno, quando o valor simbólico muitas vezes supera o valor intrínseco.
Tudo só tem valor na medida em que se pode trocá-lo, não na medida em que é algo em si mesmo. O valor de uso da arte, seu ser, é considerado como um fetiche, e o fetiche, a avaliação social que é erroneamente entendida como hierarquia das obras de arte – torna-se seu valor de uso, a única qualidade que elas desfrutam. É assim que o caráter mercantil da arte se desfaz ao se realizar completamente (ADORNO; HORKHEIMER, 1985, p. 148).
O conceito de “fetichismo dos bens culturais” pode ser entendido como a maneira pela qual certos produtos culturais são tratados não apenas pelo seu valor estético ou intelectual, mas como objetos de adoração e status, destacando-se pelo seu valor simbólico e mercadológico. E esse fenômeno tem raízes na teoria marxista em “O fetichismo da mercadoria e seu segredo” (1867, p.85). Karl Marx descreve como os produtos do trabalho humano, ao serem colocados no mercado, adquirem um valor independente das relações sociais e do trabalho que os produziu. Esses itens passam a ser colecionados, exibidos e adorados, muitas vezes mais pelo que representam socialmente. Este fetichismo pode ser observado no consumo de produtos de moda e design. Itens de marcas famosas e edições limitadas são avidamente procurados por consumidores que desejam não apenas um produto de qualidade, mas um símbolo. Aqui, o valor do bem cultural está especialmente ligado à sua capacidade de sinalizar distinção e pertencimento a um grupo social privilegiado.
Contribui, assim, para a mercantilização da cultura e a elitização do acesso a produtos culturais significativos. O valor desproporcional atribuído a certos objetos culturais pode obscurecer o seu verdadeiro significado e dificultar o acesso a eles por parte de um público mais amplo. Além disso, essa preferência exagerada por certos bens leva a uma valorização superficial da cultura, onde o que importa é a posse e a exibição dos objetos, e não a apreciação genuína de sua beleza e significado, tese de Guy Debord - escritor marxista francês e um dos pensadores da Internacional Situacionista e da Internacional Letrista (Paris, 28 de dezembro de 1931 - Bellevue-la-Montagne, 30 de novembro de 1994) -, na obra A sociedade do Espetáculo (1967) em que a máxima da diluição do “ter” e do “ser” em parecer, é elevada.
1.2.2 A expropriação do esquematismo
Adorno e Horkheimer definem como “Expropriação do Esquematismo” (1947, p. 142) o método da indústria cultural o qual expropria dos indivíduos sua capacidade de construir interpretações ao passo que ao mesmo tempo que oferece a obra/produto, entrega sua resposta/interpretação.
Ao passo que a disposição das obras culturais hoje são mais globalizados do que nunca, compreende-se a tese intitulada, visto que a tendência dos estúdios vinculados à produção e à distribuição dos bens culturais é sempre padronizar o julgamento de gosto, essas entregam a todo espectador a interpretação e a sua análise.
Por exemplo, toda produção cinematográfica já é proposta no mercado com uma intenção específica, e através da própria linguagem do filme subconsciente, da suas Premieres e das entrevistas referentes, que aos poucos a indústria cultural expropria a capacidade de compreensão individual.
A verdadeira natureza do esquematismo, que consiste em harmonizar exteriormente o universal e o particular, o conceito e a instância singular, acaba por se revelar na ciência atual como o interesse da sociedade industrial. O ser é intuído sob o aspecto da manipulação e da administração. (...) Kant antecipou intuitivamente o que só Hollywood realizou conscientemente: as imagens já são pré-censuradas por ocasião de sua própria produção segundo os padrões do entendimento que decidirá depois como devem ser vistas. A percepção pela qual o juízo público se encontra confirmado já estava preparada por ele antes mesmo de surgir (ADORNO; HORKHEIMER, 1985, p. 83).
E absolutamente ninguém está fora das margens da indústria cultural pois até mesmo aqueles que assistem e consomem produtos “cult” fazem parte de um nicho, de um gênero feito especificamente para esse grupo de pessoas, de modo que através de uma decisão de gosto, a indústria da cultura proporciona um universo que envolve este gosto centralizado em que outras mercadorias podem ser associadas, como preferência de roupa, preferência de comida, círculo social.
1.2.3 A massificação das opiniões individuais
A cultura de massa busca atender à lógica do mercado capitalista . Por isso, não faz distinção da individualidade e do gosto estético de cada pessoa e de cada cultura. Pelo contrário, busca tornar os cidadãos em uma única massa, que não tem rosto e nem individualidade, fazendo com que anseiam o simples consumo do que a mídia impõe.
A cultura de massa está estreitamente ligada ao consumo. As propagandas veiculadas na televisão e na internet têm como propósito levar o espectador a comprar o produto propagado. A indústria de bens de consumo se juntou à indústria cultural para repassar seus ideais. Fazendo então com que a indústria cultural se tornasse uma maneira de vender os produtos no mercado, além de propagar os ideais de vida burguês.
Nesse sentido, a cultura de massa é uma forma de propaganda daquilo que é vendido como padrão de vida. Nas mãos de um poder econômico e político , a indústria cultural seria empregada para impedir que pessoas tomassem consciência de suas condições de desigualdade. Por exemplo, um trabalhador em seu tempo livre deveria ler um bom livro e ir ao teatro - como defendia Aristóteles - filósofo grego (384 - 322 a.C.) - e Platão - Arístocles, seu verdadeiro nome, filósofo grego autor da obra A República (≈ 380 a.C) - como um exemplo de cidadão civilizado -, assim adquirindo mais conhecimento da própria realidade cultural. Mas ao invés, o trabalhador quando chega em casa senta em frente à televisão para esquecer o estado de sua própria realidade econômica, e é levado pela influência da propaganda, e desta forma a indústria cultural mantém o controle sobre a massa.
Como resultado, tem-se indivíduos alienados, consumidores passivos, ao invés de pessoas conscientes.
José Ortega - José Ortega y Gasset, filósofo, ensaísta, jornalista e ativista político, fundador da Escola de Madrid (Madrid, 9 de maio de 1883 - Madrid, 18 de outubro de 1955) - utiliza o conceito do “homem-massa” (A rebelião das massas (1930, p.30), para se referir ao sujeito em uma sociedade de massa. Para o filósofo, o “homem-massa” é o conformismo com as determinações externas. Fazendo com que o indivíduo perca sua individualidade e passa a dar lugar ao sujeito que busca enquadrar-se nas determinações genéricas, pois assim se sentem confortáveis , em conformidade com a massa.
1.2.4 A heroicização do medíocre
A tese da “heroicização do medíocre” (1947, p. 165) consiste em uma espécie de corrupção da estética e uma gradativa infantilização do indivíduo que o faz exaltar conteúdos de teor banal e de qualidade contestável.
Na contemporaneidade nota-se a degradação dos bens culturais, ou seja, os objetos culturais são consumidos independentemente de suas características, a sensação é que os produtos da indústria cultural passaram a reproduzir exatamente o cotidiano, a vida como ela é.
Esta tendência se agudizou de tal maneira que deu origem a produções como o Big Brother, visto que é um programa que não oferece nada mais que a reprodução da vida cotidiana: pessoas presas em uma casa fazendo exatamente as mesmas coisas que nós fazemos nas nossas. E nesse tipo de programa, basta uma participação duradoura, aliada a uma boa aparência, estereotipada, para obter o status de “subcelebridade” momentânea e, com isso, ter o “privilégio” de emprestar sua imagem à publicidade capitalista.
Sujeito e objeto são apreendidos por Adorno no processo de reprodução material- histórica da sociedade (...). O que está em causa é o processo de reprodução do capital, e, portanto, está em causa o fetiche do capital. A indústria cultural é o fetiche do capital no curso de sua autorreprodução, em plena dimensão do vislumbrado por Marx (MAAR, 2000, p. 7).
Sendo assim os consumidores são facilmente manipuláveis, segundo os critérios estipulados pela indústria. Isso se tornou possível pelo processo de redução dos critérios estéticos de uma pessoa e de seu próprio senso crítico, por conseguinte, que é exatamente o que o Adorno discorre, utilizando o termo “homem-criança” (O Pintor da Vida Moderna (1976, p.690) designado por Charles Baudelaire - Charles Pierre Baudelaire, poeta, ensaísta, tradutor e crítico de arte francês (Paris, 9 de abril de 1821 - Paris, 31 de agosto de 1867) - em seu [de Charles Baudelaire] projeto constando A Modernidade (livro de Walter Benjamin - Walter Benedix Schönflies Benjamin, ensaísta, crítico literário, tradutor, filósofo e sociólogo judeu alemão (Berlim, 15 de julho de 1892 - Portbou, 27 de setembro de 1940) - em que este termo seria um observador moderno dominado pelo gênio da infância, atento à novidade e a todos aspectos da vida. Graças a sua força ingênua, possuiria “percepção aguda e mágica” (1976, p. 694) que o permitiria extrair o elemento “eterno do transitório” (1976, p. 695) que caracterizaria a beleza fugaz da modernidade, porém o homem na contemporaneidade comporta-se de modo infantilizado como se fosse criança, estabelecendo uma relação pueril com as coisas, a redução do gosto faz do indivíduo um mero consumidor, cujos padrões psicológicos são rebaixados a níveis primários.
Cada novo produto imposto ao mercado reforça a transformação lenta e imperceptível da mentalidade humana. Desse modo, as intenções imbecilizantes não chocam o público alvo da transformação com nada verdadeiramente audacioso ou novo.
Portanto, é possível concluir que os indivíduos depois do advento da indústria cultural intensificaram o rebaixamento da qualidade do que é consumido por eles em diversos fatores causando a heroicização do medíocre e perdendo a capacidade de consumir o que realmente merece ser enaltecido
2 O DESAPARECIMENTO DA INFÂNCIA: A INFANTILIZAÇÃO DO ADULTO E A ADULTIZAÇÃO DA CRIANÇA
Neil Postman - escritor crítico da cultura, teorista da mídia e professor norte americano (8 de março de 1931, Nova Iorque - 5 de outubro de 2003, Nova Iorque - em sua obra O desaparecimento da infância (1982), condensa sua crítica em teses essenciais acerca do surgimento da mídia e das observações ressaltadas anteriormente com Adorno e Horkheimer para fenômenos sociais gerados pela supervalorização desta cultura da imagem predatória.
Diferente deste artigo, que dispõe, mais à frente , ao audiovisual, Postman vai ao fundo quanto ao desenvolvimento da mídia: a invenção da prensa industrial, no início do século XIX, na Alemanha. E com isso a dissolução da membrana que separa a childhood (infância social) dos adultos.
Na Idade Média, por exemplo, as crianças eram vistas como “pequenos adultos”, sem distinção e, com o Renascimento, começaram a surgir perspectivas de que a infancy (infância biológica) não era majoritária e de que as crianças deveriam ser “protegidas” de assuntos do mundo dos adultos, como os de cunho sexual - dinheiro, violência, tragédia -, além de uma criação literária específica para tal fase de desenvolvimento e uma maior necessidade de cuidado, de modo que os adultos, os responsáveis, deveriam guiá-las. Porém, com a chegada dos veículos de comunicação guiados por imagens, tudo cai por terra novamente.
Veja que a televisão e a internet, homogenizam o conteúdo expressado, ou seja, todo conteúdo expresso na televisão pode ser compreendido por uma criança de 12 anos: a diferenciação do modo da criança e do mundo do adulto é cada vez menor. Vale ressaltar, ademais, que fazer uso da televisão ou da internet para a divulgação de uma aula ou de uma fala presidencial, não é o que refere-se. O ponto é que “televisão” ao que faz-se referência aqui retrata sobre uma maneira de produção de conteúdo vinculado e não ao tema abordado. Uma boa comparação seria o programa Cosmos: A Personal Voyage (1980), do grande divulgador da ciência Carl Edward Sagan - astrônomo estadunidense (9 de novembro de 1934, Nova Iorque - 20 de dezembro de 1996, Seattle - em que usa o programa como forma de divulgação da ciência, contudo, modificando e simplificando o modo de transmiti-la, nivelando o público e impedindo uma formação sólida, criando uma geração de “semi-formados” (1947, p. 225) - referenciando as teses de Adorno e Horkheimer, uma tendência destrutiva, na qual as massas absorvem, de maneira superficial o conhecimento ao mesmo tempo em que se sentem psicologicamente preenchidas - a semiformação não é um “meio-passo” em direção à formação, e sim uma força destrutiva à capacidade real de formação intelectual.
Tais acontecimentos contribuem para o surgimento do núcleo da obra de Neil Postman: a adultização das crianças e a infantilização dos adultos.
A adultização das crianças refere-se ao fim dos segredos: em que a televisão e a internet expropria a hierarquia de aprendizado, de modo que uma criança de cinco anos entende uma imagem visual de violência ou consumo tão rápido quanto um adulto; mutação da estética: as crianças passam a adotar vestimentas, linguagens e preocupações (como a sexualização precoce ou a ansiedade com a imagem pública) que antes pertenciam exclusivamente à maturidade; o “consumidor mirim”: a publicidade trata a criança como um agente econômico pleno, incentivando desejos e escolhas de marca antes mesmo da maturidade cognitiva.
A infantilização dos adultos refere-se à cultura do entretenimento: em Amusing Ourselves to Death (Divertindo-se até Morrer (1985), Postman explica que o discurso público (política, religião, ciência) torna-se entretenimento. O adulto perde a capacidade de lidar com a complexidade, preferindo narrativas simplificadas e estímulos visuais; baixa tolerância ao tédio: a necessidade de estímulo constante e a busca por prazer imediato são características infantis que se tornaram o padrão do comportamento adulto moderno, o que influencia na queda livre do mundo livresco. estética da juventude eterna: há uma pressão social para que o adulto nunca "envelheça" mental ou fisicamente, resultando em gostos, hobbies e linguagens que evitam a responsabilidade e o peso da senioridade.
O que a televisão faz é apagar a linha entre a infância e a idade adulta de duas maneiras: transformando a criança em um pequeno adulto e transformando o adulto em uma criança crescida. À medida que as distinções entre a criança e o adulto se tornam tênues, o próprio conceito de infância — que requer um conjunto de comportamentos e conhecimentos exclusivos — começa a desaparecer. (POSTMAN, Neil. O Desaparecimento da Infância. Graphia Editorial: RJ, 1999; p. 112; cap. O Meio que Não Exige Habilitação)
A degradação das fases de desenvolvimento moldam uma psique generalizada e pouco fomentada diante a criação de uma inteligência geral ou histórica. A questão é que as mídias - a televisão e a internet - por exemplo, são as responsáveis por uma realidade mediada por imagens e proporcionam este fenômeno de Postman. A dissolução das realidades e da individualidade provoca a maior característica da Pós-modernidade: o Relativismo.
3 A PÓS-MODERNIDADE E O RELATIVISMO
No zeitgeist deste tempo, há uma constante sensação de que tudo é relativo, de que verdades e valores absolutos não existem, de que as opiniões individuais são igualmente relevantes, de que o contexto em que tal afirmação é dirigida deve ser considerado para uma possível verificação, de que é a noção de uma maioria que define a verdade ou a falsidade de uma preposição.
O Relativismo mantém todos os objetos sob uma diretriz imaginária de que: qualquer existência está ameaçada pela extinção meteórica. Este carrasco controla todas as ações sociais e individuais como um Grande Irmão - referência à obra 1984 (1949) de George Orwell - Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo pseudônimo de George Orwell, poeta, ensaísta, jornalista, crítico e novelista inglês (25 de junho de 1903, Motihari - 21 de janeiro de 1950, Londres - que observa e controla a todos, até nos momentos de absoluta privacidade em suas casas.
3.1 OS ESCUDEIROS
Existem críticas bastante fundamentadas em questão do período moderno, e alicerçados nessas críticas que estão os maiores “interessados” com o Relativismo, já que ele trouxe uma pluralidade avassaladora para a sociedade e a globalização proporcionada pelo desenvolvimento das tecnologias de comunicação apenas provaram isso.
Individualismo e Competitividade Extrema: A valorização excessiva do indivíduo levou à redução da empatia, ao isolamento social e a uma competitividade que corrói os valores éticos de convivência.
Primazia da Razão Instrumental: A racionalidade técnica passou a focar apenas na eficiência ("como" fazer), muitas vezes ignorando as consequências humanas e morais ("por que" fazer), levando ao assujeitamento da natureza e das pessoas ao prazer e à produção sem limites.
Atomismo Político: A sociedade fragmentou-se, perdendo o sentido de comunidade e tornando o indivíduo um "átomo" isolado, o que enfraquece a coesão social e a participação política coletiva.
Crise Ambiental e Exploração: A lógica de exploração desenfreada, movida pela ideia de progresso contínuo, gerou impactos ambientais graves e a mercantilização da vida.
De fato, a Modernidade, destacando o período iluminista, fora a responsável por um desenvolvimento técnico e científico tão massivo que fica nítido o quão retardado era esse desenvolvimento antes: Napoleão Bonaparte - Napoleão I, Imperador da França (15 de agosto de 1769, Ajaccio - 5 de maio de 1821, Ilha de Santa Helena - e Júlio César - Gaius Julius Caesar, general romano e ditador da República Romana (13 de julho de 100 Antes de Cristo, Roma - assassinado em 15 de março de 44 Antes de Cristo no Teatro de Pompeu, Roma - usavam o mesmo meio de transporte (aproximadademnete 1850 anos de diferença) o qeu destaca a diferença entre a invenção da primeira locomotiva a vapor, a guisa de informação, inventada em 1804, e a existência de “trens-bala” como o Sistema Maglev (levitação magnética), com trens operando comercialmente a 430 km/h em Xangai, é intermediada por apenas 222 anos. E tal desenvolvimento vem da herança moderna, iluminista.
A desconfiança generalizada das instituições vem de fatores pontuais do período moderno, como por exemplo: o início de uma Revolução Industrial e alto desenvolvimento tecnológico como promessas, porém com alto desemprego, pobreza, e poluição; o nascimento das ciências sociais, mas uma absurda segregação de classes, e preconceitos estruturais (o trabalho escravo apenas fora legalmente banido do Brasil em 1888); o surgimento de uma nova cultura da imagem e de mercadoria (a cultura), mas sendo idêntica em todos os aspectos e “expropriando o esquematismo” da classe trabalhadora; o uso do marxismo para a criação de uma União Soviética e o seu futuro rompimento em menos de 100 anos, proporcionando uma descrença generalizada sobre o marxismo, principalmente o ortodoxo; uma Primeira (1914-1918) e uma Segunda (1939-1945) Guerras Mundiais; o início da era nuclear para a energia, como são nas usinas de fissão nuclear e dos projetos atuais de usinas de fusão nuclear, porém iniciado pelo Projeto Manhattan (1942) liderado pelo físico Dr. J. Robert Oppenheimer - 22 de abril de 1904, Nova Iorque - 18 de fevereiro de 1967, Princeton - e pelo General Leslie Richard Groves Jr. - 17 de agosto de 1896, Albany - 13 de julho de 1970, Washington resultando na ascensão dos Estados Unidos da América e sua relação com o Vietnã (Guerra do Vietnã (1955-1975) e com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (atualmente a Rússia, Ucrânia, Belarus, Uzbequistão, Cazaquistão, Geórgia, Azerbaijão, Lituânia, Letônia, Estônia, Moldávia, Quirguistão, Tadjiquistão, Turcomenistão e Armênia) no que foi chamado de Guerra Fria (~1947-1991).
A partir disso, houve uma necessidade de aceitação e passividade violentíssimas, como a criação de uma Organização das Nações Unidas (ONU), e o encorajamento da opinião individual, e todas existindo como verdades ao seu dado modo.
3.2 POR QUE NÃO UMA TERRA PLANA?
A existência de apoiadores da “Terra plana” ainda no século XXI, auxilia na compreensão exata quanto a este fenômeno de degradação dos conceitos universais, como a verdade.
A cosmologia do antigo Egito retratava a Terra como plana, geralmente concebida como um disco ou base plana. Cercada por água, a Terra era coberta por uma cúpula sólida (firmamento) que separava as águas superiores das inferiores, com o deus do ar Shu separando a deusa do céu Nut de Geb, a terra. Compreende-se que a relação entre a ciência e a cultura estavam fortemente relacionadas. Com o passar dos séculos e o desenvolvimento da história e da ciência, houve uma ruptura significativa deste processo de ligamento bem como favorecera a nossa visão antropológica de modo que, os antigos estavam justificados em acreditarem na Terra plana, mas não é verdade.
Com o globo cada vez menor, não existe mais uma unidade que faça o intermédio das ciências na compreensão do mundo, apenas fenômenos em que todos estão sujeitados - a indústria cultural, a infantilização, o relativismo.
Também vale dizer que não se pode misturar conceitos como verdade ou falso e certo ou errado, respectivamente, um representa um estado do objeto e outro uma correlação prática e passiva da realidade, tendo que ser assumido: é “certo” dirigir pela faixa esquerda na Inglaterra mas tal ação é considerada “errada” aqui no Brasil.
Portanto, não é a crença ou a aceitação de uma maioria que verifica a verossimilhança de uma proposição, nem quais “provas” um ou outro grupo tem a seu favor, mas sim qual método de investigação refere-se e sua comprovação ou comprovação de sua negação.
3.3 A FILOSOFIA COM O FIM DO RELATIVISMO
As bases do pensamento racional clássico foram estabelecidas por Aristóteles através de três princípios fundamentais. Essas leis não são apenas regras para "vencer debates", mas sim as condições necessárias para que qualquer frase ou pensamento tenha sentido.
3.3.1 Princípio da Identidade
Este princípio afirma que uma coisa é o que ela é. Em termos lógicos, A = A. Se definimos um conceito ou um objeto, ele deve manter sua essência e significado durante todo o raciocínio para que a comunicação seja possível. Se eu digo que "uma maçã é uma fruta", a palavra "maçã" deve se referir ao mesmo objeto do início ao fim da conversa.
3.3.2 Princípio da Não-Contradição
Talvez a lei mais famosa, ela dita que uma proposição não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto. Nada pode "ser" e "não ser" simultaneamente. É impossível que esteja chovendo e não esteja chovendo no exato mesmo lugar e no mesmo momento. Se eu digo "está chovendo", e você diz "não está chovendo", um de nós (ou ambos) está necessariamente errado.
3.3.3 Princípio do Terceiro Excluído
Esta lei afirma que, para qualquer proposição, ou ela é verdadeira ou a sua negação é verdadeira. Não existe uma terceira opção ("meio termo"). Ou algo é, ou algo não é. Considere a frase "O interruptor está ligado". De acordo com a lógica aristotélica, essa afirmação só pode ser verdadeira ou falsa. Não há um estado intermediário onde o interruptor está "mais ou menos" ligado para a lógica formal.
Em síntese: se o Relativismo considera qualquer afirmação como relativa, isto o coloca [o Relativismo] em uma armadilha conceitual, ao passo que o mesmo se torna relativo. “Tudo é relativo” é auto aplicável e deste modo, auto refutável e perde o valor absoluto que almejava.
Ninguém tem a obrigação moral ou intelectual de “abraçar” o relativismo, sendo então apenas um gosto pessoal, uma subjetividade.
4 A NOVA FÍSICA
Como ora retratado anteriormente, o relativismo é um trilho que percorre todas as áreas, um ponto mais prático de ver tal fenômeno de modo que não seja tão previsível é com a física quântica iniciada com Einstein - Albert Einstein (Ulm, 14 de março de 1879 - Princeton, 18 de abril de 1955) físico teórico alemão - com a teoria da Relatividade.
Niels Bohr - físico e filósofo dinamarquês (7 de outubro de 1885,Copenhague - 18 de novembro de 1962, Copenhague - aprimorou o modelo atômico orbital com as camadas e subníveis de energia em 1913 para que, 13 anos depois, Schrödinger - Erwin Rudolf Josef Alexander Schrödinger (Viena-Erdberg, 12 de agosto de 1887 - Viena, 4 de janeiro de 1961) - pudesse estabelecer não como as orbitais dos elétrons funcionam, mas sim uma “nuvem de probabilidade” onde cada elétron poderia estar de acordo com as camadas energéticas.
O que Schrödinger usou para contribuir com a física foi este conceito insistente de que nada se pode conhecer por absoluto, porque a cada momento em que desejássemos localizar com precisão uma órbita eletrônica seríamos inundados por uma decepção, e que, na realidade, deveríamos nos conformar com uma “nuvem de probabilidade”, ou seja, temos que nos conformar que não está para se conhecer, apenas para observar.
Em outras palavras, a dissolução da busca nos termos quantitativos em relação a existência de uma localização exata de quaisquer objetos, numa teoria que depende de um observador para determiná-la, é uma demonstração clara de que paramos de nos preocupar com os metas acontecimentos e diluímos todas as capacidades dos conhecimentos em “pequenas causas ".
CONCLUSÃO
A Pós-modernidade é ativamente uma crítica de seu antecessor pois enfrenta seus problemas como: o trabalho industrial precário, a poluição ambiental, o individualismo, o surgimento de uma mídia mediada por imagens, uma fé no progresso técnico quase que religioso e duas guerras mundiais. Tudo favorece instantaneamente para uma “queda” de confiança sobre as teorias da Modernidade.
Cada passo de progresso que damos hoje é licenciado por um “espírito do nosso tempo“ que controla secretamente tudo o que nós fazemos e como pensamos, cercados pela implacável indústria cultural, importantes nomes da filosofia e da sociologia e pela distorção de fases de desenvolvimento cognitivo com o passar das gerações fortalecidos, claro, pelo surgimento da internet, que ampliara vertiginosamente esses fenômenos.
É preciso que saibamos diferenciar critérios de julgamento como o que é correto ou que é verdadeiro, porque o primeiro depende de uma aceitação ou de uma adaptação popular e/ou geográfica, e a verdade aparece como algo sólido e independente de uma época ou de um ponto de vista - o fato de estar disponível a mudanças com o passar do tempo e da evolução técnica não a mantém [a verdade] na sombra de um critério relativista que ironicamente se enxerga como absoluto.
Além de ser uma crítica às capacidades do modernismo, a Pós-modernidade representa uma “crise do absoluto“ em que cada valor e conceito é colocado em desconfiança, deixando diante centenas de interrogações a verdade, a justiça, e até a própria ciência.
A dissolução de todos os conceitos e a separação das meta narrativas em “pequenas causas“ expande horizontes por todas as áreas do conhecimento: da filosofia até o que chamamos de nova física, ou física quântica, e isso existe hoje justamente como uma ferramenta de manutenção do pensamento dominante para enfraquecer o sentimento de revolução proletária contra o capital. Porém, o relativismo se prova através da própria lógica que não passa de um gosto subjetivo adotado por alguém, ou o zeitgeist deste novo tempo, não exigindo nada de nenhuma escola de pensamento e nem sendo uma exigência evoluída de capacidade intelectual porque como o filósofo Friedrich Nietzsche outrora dissera, tudo o que é moderno é um compromisso, um arranjo, um meio-termo, uma falsidade (O caso Wagner (1888, p. 21).
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ORWELL, George. 1984. 1ª edição. SP: Companhia das Letras, 2009.


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Informações
- Data:
- 09/09/2026
- Horário:
- 17:33
- Para mais informações contate o líder e autor deste artigo: hellowaydergallagher@gmail.com
- O intuito da análise da Pós-modernidade entrega-se na necessidade de compreender o “zeitgeist” - “o espírito do tempo” citado pelo filósofo alemão Hegel - Georg Wilhelm Friedrich Hegel, Estugarda, 27 de agosto de 1770 - Berlim, 14 de novembro de 1831- em A fenomenologia do espírito (1807, p.26), uma das principais obras da filosofia moderna - deste momento que sucede a Modernidade (do renascimento à segunda metade do século XX), ou seja, de 1950 até hoje. Vê-se que alguns fenômenos da Pós-modernidade são exclusivos de tal, e reage ativamente com os vários acontecimentos de seu antecessor: a Modernidade. O período moderno é marcado pelo desenvolvimento tecnológico e científico, metanarrativas - como o marxismo - , ademais, marca o fim do feudalismo, do monopólio religioso sobre o conhecimento e marca não só a criação de tecnologias e movimentos artísticos revolucionários como também marca os resultados dos destroços gerados pela guerra e o surgimento de uma mídia da qual sugere, na psique social, uma realidade mediada por imagens e sentidos - a fotografia, o cinema, a televisão e, claro, a internet. Portanto, neste ensaio, objetiva-se examinar minuciosamente a constituição da psique que compõem a mente dos indivíduos do “pós guerra”, o que de fato a mídia - e o marketing - influencia na manifestação revolucionária da classe trabalhadora - bem como seu fator psicológico na segregação de classes - como o zeitgeist constrói o senso comum e como o surgimento da internet intensifica o relativismo e fenômenos outrora abordados no século XX e na Modernidade.
- Expectativa de Público:
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- Não informado.
- Tipo de Evento:
- Público